Telecirurgia
Em setembro de 2025 realizamos, no Hospital Mãe de Deus em Porto Alegre, a primeira telecirurgia robótica não experimental da America Latina. A cirurgia foi uma Prostatectomia Radical para o tratamento curativo de um câncer de próstata. O paciente estava no Hospital Mãe de Deus, em Porto Alegre, com a nossa equipe local e o console cirúrgico foi operado de São Paulo, no Hospital Nove de Julho. Foi utilizada a plataforma robótica Toumai. Foi um marco dentro da cirurgia robótica nacional.
A telecirurgia robótica é a realização de um procedimento cirúrgico por meio de uma plataforma robótica em que o cirurgião, que opera o console principal, não está fisicamente ao lado do paciente. Ao invés disso, ele opera a distância, conectado por uma rede de dados segura e de alta performance, controlando o sistema robótico em tempo real.
O sistema é composto por três elementos principais: o Console do cirurgião – onde o médico controla os movimentos dos braços robóticos, o carrinho robótico com braços articulados, posicionado junto ao paciente e à equipe local e a torre de vídeo e processamento de imagem.
Na telecirurgia robótica, o console do cirurgião pode estar em outro hospital, outra cidade ou até mesmo em outro país. Os movimentos do cirurgião, neste console, são convertidos em comandos digitais e enviados por uma rede de internet de alta velocidade e baixa latência, para o carrinho com os braços robóticos, junto ao paciente. Estes comandos chegam ao robô quase instantaneamente, permitindo a mesma precisão da cirurgia robótica tradicional.
Mesmo à distância, a telecirurgia não elimina a equipe presencial. Pelo menos dois cirurgiões assistentes, habilitados e experientes, permanecem ao lado do paciente, tanto para a troca de instrumentos e demais funções de um auxiliar em uma cirurgia robótica convencional, quanto preparado para intervir junto ao console cirurgião local, caso seja necessário.
Do ponto de vista técnico, a experiência para o cirurgião é praticamente idêntica à cirurgia robótica convencional, desde que os parâmetros de rede estejam dentro dos limites aceitáveis.
A uro-oncologia é uma das áreas mais beneficiadas pela cirurgia robótica, especialmente em procedimentos como a Prostatectomia Radical, a Cistectomia Radical e a Nefrectomia Parcial. Esses procedimentos exigem uma dissecção delicada, preservação neurovascular adequada e reconstrução intracorpórea perfeita, entre outras ações, nas quais a visão tridimensional e os movimentos precisos que a plataforma robótica proporciona são fundamentais.
A telecirurgia mantém essas capacidades técnicas, ampliando o acesso geográfico. Democratiza o acesso a este tipo de procedimento em regiões remotas, onde centros menores podem contar com a expertise dos grandes centros.
Outra grande possibilidade com o uso da telecirurgia, é o ensino e treinamento de novos cirurgiões robóticos, através da mentoria avançada em tempo real.
Com a expansão de redes de alta velocidade e tecnologias como 5G dedicado à saúde, a telecirurgia tende a se tornar cada vez mais viável, segura e escalável.
Esta é uma mudança estrutural na forma como a cirurgia pode ser oferecida, ultrapassando barreiras geográficas sem perder precisão técnica.

